sexta-feira, 11 de março de 2011

Porque escrevo - Tarcísio Ribeiro Costa

Para Afrânio Coutinho, escritor do livro Notas de Teoria Literária,
"a Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real,
é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através
da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo
 e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma,
independente do autore da experiência de realidade de onde proveio

Porque Escrevo
Tarcísio Ribeiro Costa

Não sei bem por que escrevo!
Mas, às vezes, nasce de mim
Quem sabe, do meu coração
Ou da minha alma,
Um verdadeira "tentação"
De escrever um poema,
É um estado de ansiedade
Que me tira a calma...
Sempre que isso acontece
Procuro transformar em versos,
O que inesperadamente vem da mente,
Até então não tenho um tema...

Ao som de uma bela música
Escrevo palavras
Que parecem explodirem do meu interior,
Principalmente, quando o tema é amor...

Se no final, consigo uma bela poesia,
Entro num meio-transe,
Minha cabeça se enche de fantasia,
Sinto uma amena tranquilidade...

Vêm-me bafos de felicidade,
Assim, meio impaciente,
Levanto-me, contemplo a natureza,
Lembro-me dos meus versos
Sinto toques de realização...

Não tenho outros motivos
Que justifiquem o porquê de escrever,
A não ser satisfazer meu ego
E isso é muito bom para mim,
Me faz bem...
Esse, sim,
"Satisfazer o meu ego"
É o motivo por que escrevo...

José Jacinto Pereira Veiga, conhecido como José J. Veiga,
nasceu em Corumba de Goiás,
em 1915, morreu no Rio de Janeiro em 1999.
É considerado um dos maiores autores em lingua portuguesa
 do realismo fantástico. Ele afirma que não sabe porque escreve
 e presume que todos os outros escritores também não s
aibam o porque de escrever.  Afirma ele:
"Olha, isto não sei, pelo seguinte: sempre me
indago por que é que escrevo em vez de estar
 fazendo outra coisa que pode ser até mais rendosa.
 Hoje, na minha idade, já não estou atrás de coisa
que renda, porque não tenho tempo para isso, mas
antigamente me perguntava por que escrevia se podia
 estar fazendo alguma outra coisa tendo maior proveito,
ganhando mais dinheiro, mas não sabia responder.
Li uma série de reportagens que saíram em uma revista
 na França e depois foram publicadas em livro;
 várias pessoas, escritores franceses e de outros países,
dizendo por que escrevem.
Achei aquilo uma grande pose: o sujeito inventa
 alguma coisa pra dizer, porque escrever não é nada
daquilo não, eles nem sabem, ninguém está sabendo,
eu não sei. Eu me sinto feliz quando estou escrevendo,
às vezes fico desesperado porque não consigo dizer o
 que quero, fico com raiva, mas acho que é a coisa que
preciso fazer para poder me dar felicidade e tranqüilidade na vida.
Se eu não escrevesse, acho que seria uma cara azedo,
 ranzinza, mal-humorado, pessimista, e não sou; acho que
 é o trabalho literário que me salva dessas coisas".
(RICCIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991)
 
 

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