sexta-feira, 11 de março de 2011

Por que Escrevo? Graça Ribeiro


"Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte."

Alexandre O'Neill

"O que a linguagem poética faz é
essencialmente jogar com as palavras.
Ordena-as de maneira harmoniosa, e injeta
mistério em cada uma delas, de modo tal que
cada imagem passa a encerrar a solução de
 um enigma."(Johan Huizinga )
Por que escrevo
Graça Ribeiro

Escrevo porque a palavra é  o instrumento
que utilizo para dar mais intensidade
aos sentidos da minha vida

Escrevo porque sinto um prazer imenso
com esse jogo de palavras que criam
a ilusão de prolongar o tempo

Escrevo porque escuto o que sinto
quando fico sozinha comigo
e deixo a alma dançar nas teclas

Escrevo porque é o meu jeito de ser feliz
a minha forma de amenizar o triste
e aprender  ouvir as estrelas

Escrevo para tentar entender  o humano
e mantenho o meu olhar de espanto
para não ser tragada pelo cotidiano

Escrevo porque ... por que escrevo?
Para ficar encantada...


Por fim,  Paulo Coelho compara a literatura ao sexo.
 Assevera “Literatura é como sexo.
O sexo também tem processos cansativos,
 certas etapas que devem ser cumpridas,
 mas no fim o esforço é compensado".
É  com diz o grande poeta português Fernando Pessoa:
 “O poeta é um fingidor”...
 “Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. “

Perguntamos-lhes :
valeu a pena participar da Roda de Poesia?

Escrevemos porque vale a pena,
vale a tinta e vale o papel.
Vale o soneto em branco e preto,
 escrito  e publicado,
 ou  guardado na gaveta.
Se a alma é grande, tudo vale a pena,
vale a dor do trabalhador.
Para passar além do bojador
( um cabo onde no passado era
temido pelo desaparecimento de muitas embarcações.)
tem que se passar
além do medo,
Além da dor...
Deus deu muitos perigos e abismo ao mar
...ao amar... ao viver
Mas é nele que se espelha a beleza do céu...
E no amor e na vida que se experiencia a poesia.
Nosso muito obrigada a todos que participaram!

Edição: Tereza da Praia e Graça Ribeiro


Por que escrevo? (Tereza da Praia)


Ignácio de Loyola Brandão, romancista, diz que
"Escrevo para me divertir e divertir os outros"
.O escritor norte-americano Sidney Sheldom afirma
que não pretende passar mensagens ou lições éticas.
Seu objetivo ao escrever “ é que os leitores se
desliguem do mundo real.
Espero que esqueçam seu cotidiano
 enquanto aquela ficção durar.
Meus livros são feitos para divertir “
Por que escrevo?
(Tereza da Praia)
Escrevo para brincar com as palavras.
 Divertir os amigos e hostilizar os inimigos.
A palavra é minha arma,
meu instrumento perfuro-contudente.
Penetra  na alma
 Rasga, cala, fere...
Faz sangrar!
Quantas vezes me mataram? 
Quantas vezes me fizeram ressuscitar!?
Palavras, palavras...
Amargas, doces,  amorosas, perdoadoras...
Quantas vezes já rasguei?
Quantas vezes já cerzi ?
Quantas vezes emendei pedaços
Fiz colchas de mágoas...
Matei... Retalhei... salguei...
Por que  escrevo?
Ora, escrevo para me divertir...
Para fugir...
para mentir
para dizer verdades
Para fingir
Para matar e para fazer ressurgir...
Penetrar no outro fazer sangrar, ou sorrir...
Acarinhar ou ferir...
Herotodo afirmava que escrevia para
que a memória não se apagasse com o passar do tempo,
e para que os feitos não deixassem de ser lembrados
Para Pablo Neruda   “A palavra tem sombra,
transparência, peso, plumas, pêlos"

Porque escrevo - Débora Acácio e Fátima Mello (Fofinha)



Porque escrevo
Débora Acácio

Se você me perguntasse por que eu escrevo...
Eu te responderia..
Porque adoro... venero... amo a poesia..
E se pudesse em cada uma delas me transformaria
As alegrias, as tristezas... os sorriso, as lágrimas
Não importa viveria cada uma de suas linhas

Se você me perguntasse porque eu escrevo
Eu te responderia...
Porque perdi um pouco a fé... no homem..
Me iludi, desacreditei
Mas ai também entro em contradição.
E se for assim onde está a esperança ?
A força de uma grande paixão ?
A certeza de que cada alma tem
a sua gêmea para pisar e crescer unida aqui nesse chão?
São perguntas que calam fundo em meu coração.
Mas ai escrevo e como escrevo... para ela..
A solidão!

Se você me perguntasse porque escrevo
Eu te responderia
Porque Deus me deu em sua graça e misericordia
e aqui também respondo com lágrimas de todo romantico louco
uma alma sensivel de poeta.... que de tudo se apieda.
Que de qualquer quadro de profunda tristeza
encontra a mais bela nota de esperança
e sorriso que possa existir na natureza

mas antes de qualquer outra resposta
Eu te diria que escrevo para a minha
a sua, a nossa alma encantar...
Buscar mais  brilho e leveza
que só os sonetos e seus versos conseguem entoar
Buscar mais sensibilidade, sensualidade,
afabilidade, ternura nas entrelinhas
de toda e qualquer bela poesia.

Poesia e fé buscam palavras. O mundo tem um sentido,
uma razão que perpassa tudo o que foi criado, tudo isso,
bem ou mal, a serviço de uma unidade final
que vive na intuição" (Adélia Prado)

ESCREVER SOBRE O AMOR - Mavi Lamas

Das funções da literatura, a estética é aquela,
que cumpre o papel de fazer o ato
 de escrever literário diferente dos outros.
Considera-se um texto como literário se ele cumprir a função
de representar de forma artística o real.
Na arte em geral a estética de um quadro ou de
uma pintura depende da forma com que o
 artista combina as cores e as formas.
Na literatura, combina-se forma e conteúdo.

Função lúdica da literatura ocorre por meio de um jogo,
no qual o artista executa a literatura por prazer, que pode
ser como forma de trabalho ou até mesmo como um passatempo,
e o leitor sente o prazer de ler um texto.  Essa via de mão
dupla necessita de dois componentes:
o emissor e o receptor para se realizar
 e eles não convivem simultaneamente.

A função cognitiva evidencia que a
literatura produz um certo grau
de conhecimento, que é passado ao leitor, este por
sua vez o incorpora no seu fazer diário,
de tal forma que com o passar do tempo,
sendo essas histórias matéria ficcional, elas não
deixa de ser um conhecimento a ser repassado.


O escritor de peças teatrais, livros infantis,
norte-americano  William Kennedy, confessa:  
"Não acho os vencedores muito interessantes como personagens.
A sobrevivência é um tema mais rico"

“Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.”
disse Rainer Maria Rilke. O poeta aconselha aos escritores ,
em especial aos poetas,  a “entrar em si e examinar as
profundidades de onde jorra sua vida;
na fonte desta é que encontrará resposta
à questão de saber se deve criar.
 Aceite-a tal como se lhe apresentar
à primeira vista sem procurar interpretá-la.
Talvez venha significar que o Senhor
 é chamado a ser um artista.
Nesse caso aceite o destino e carregue-o
com seu peso e a sua grandeza,
sem nunca se preocupar com recompensa
 que possa vir de fora.
O criador, com efeito, deve ser um mundo
para si mesmo e encontrar tudo
 em si e nessa natureza a que se aliou.”


ESCREVER SOBRE O AMOR
                  Mavi Lamas

Não precisa o amor ter existido,
basta ter pensado
na existência de um grande amor.
Não precisa ser de agora
pode ter acontecido há muito tempo ,
Para escrever sobre o amor
basta ter inspiração ,emoção, sensação,
deixar que fale o coração.
Fantasiar, extravasar nos devaneios,

onde explodem os anseios,
e sem meios ou inteiros
falar beijos na nuca, de lábios ávidos
das loucuras ,dos caminhos e dos descaminhos
que se confundem nos ninhos,
se fartam nas fontes...
Para escrever sobre o amor,
Basta um retalho, uma nesga de lembrança boa
uma frase solta, dentro deste espaço incomensurável
da imaginação de cada um de nós..

Por exemplo... posso estar falando para ti,
que estás lendo estes versos agora...
È para ti mesmo, que devora as palavras
Que se confunde nos sentidos que elas têem
Ou inventa os que que quer que elas
tenham para melhor sentido fazer,
para a paz no teu coração.

Amor, emoção, danação, perdição,
confusão, perdão, encontro desencontro,.
Risos, gargalhadas, sussurros, murmúrios, gemidos,
urros, silêncio, e depois...Um arfar sereno
Que acalanta o cansaço, de tantos abraços.
Experimente  escrever sobre o amor...
Experimente !...

Porque escrevo - Tarcísio Ribeiro Costa

Para Afrânio Coutinho, escritor do livro Notas de Teoria Literária,
"a Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real,
é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através
da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo
 e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma,
independente do autore da experiência de realidade de onde proveio

Porque Escrevo
Tarcísio Ribeiro Costa

Não sei bem por que escrevo!
Mas, às vezes, nasce de mim
Quem sabe, do meu coração
Ou da minha alma,
Um verdadeira "tentação"
De escrever um poema,
É um estado de ansiedade
Que me tira a calma...
Sempre que isso acontece
Procuro transformar em versos,
O que inesperadamente vem da mente,
Até então não tenho um tema...

Ao som de uma bela música
Escrevo palavras
Que parecem explodirem do meu interior,
Principalmente, quando o tema é amor...

Se no final, consigo uma bela poesia,
Entro num meio-transe,
Minha cabeça se enche de fantasia,
Sinto uma amena tranquilidade...

Vêm-me bafos de felicidade,
Assim, meio impaciente,
Levanto-me, contemplo a natureza,
Lembro-me dos meus versos
Sinto toques de realização...

Não tenho outros motivos
Que justifiquem o porquê de escrever,
A não ser satisfazer meu ego
E isso é muito bom para mim,
Me faz bem...
Esse, sim,
"Satisfazer o meu ego"
É o motivo por que escrevo...

José Jacinto Pereira Veiga, conhecido como José J. Veiga,
nasceu em Corumba de Goiás,
em 1915, morreu no Rio de Janeiro em 1999.
É considerado um dos maiores autores em lingua portuguesa
 do realismo fantástico. Ele afirma que não sabe porque escreve
 e presume que todos os outros escritores também não s
aibam o porque de escrever.  Afirma ele:
"Olha, isto não sei, pelo seguinte: sempre me
indago por que é que escrevo em vez de estar
 fazendo outra coisa que pode ser até mais rendosa.
 Hoje, na minha idade, já não estou atrás de coisa
que renda, porque não tenho tempo para isso, mas
antigamente me perguntava por que escrevia se podia
 estar fazendo alguma outra coisa tendo maior proveito,
ganhando mais dinheiro, mas não sabia responder.
Li uma série de reportagens que saíram em uma revista
 na França e depois foram publicadas em livro;
 várias pessoas, escritores franceses e de outros países,
dizendo por que escrevem.
Achei aquilo uma grande pose: o sujeito inventa
 alguma coisa pra dizer, porque escrever não é nada
daquilo não, eles nem sabem, ninguém está sabendo,
eu não sei. Eu me sinto feliz quando estou escrevendo,
às vezes fico desesperado porque não consigo dizer o
 que quero, fico com raiva, mas acho que é a coisa que
preciso fazer para poder me dar felicidade e tranqüilidade na vida.
Se eu não escrevesse, acho que seria uma cara azedo,
 ranzinza, mal-humorado, pessimista, e não sou; acho que
 é o trabalho literário que me salva dessas coisas".
(RICCIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991)
 
 

Escrever - Naidaterra



Ariano Suassuna diz que todas as histórias contadas por 
ele “são recriações de histórias populares ou de histórias pessoais.
Eu tinha alguns encantamentos na infância. Entre esses,
os mais fortes era o circo e a leitura.
Como escritor, eu sou aquele mesmo menino que,
perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930,
passou o resto da vida tentando protestar contra
sua morte através do que faço e do que escrevo,
 oferecendo-lhe precária compensação e, ao mesmo tempo, buscando
 recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos
dos outros, da palavras que ele deixou.”
Para Ariano “não existe diferença entre a literatura e a vida.
A literatura foi o caminho que eu encontrei
 para enfrentar essa bela tarefa de viver”

ESCREVER
Naidaterra

Que seria de mim sem um teclado,
 um lápis, uma folha qualquer, uma vareta
para na areia ou na terra escrever...
Triste, alegre ou apaixonada,
 o pensamento é quem comanda
 e você simplesmente escreve...
Com um pincel e tinta, dou forma,
desenho e traço o meu sentir...
Quem vê, penetra com a alma
e lê com o coração...
Não me vejo sem a escrita,
meus rabiscos e meus desenhos...
Eu sonho, devaneio e minhas mãos,
simplesmente... navegam...

Por que escrevo? Ciducha

"Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer’.
 Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender.
 O que é um ser humano? (José Saramago)

Por que escrevo?
Ciducha

Como matar o poeta
que vive em mim?
Desenho versos
Com a minha alegria
e até com a minha dor
com tintas fortes e indeléveis,
os espinhos e as rosas do meu jardim.

 Como matar o poeta
que vive em mim?
Não me importa o mundo,
Nem a opinião de toda a gente!
Nada sabem sobre minhas dores,
E não conhecem meus prazeres.

Pois nunca escrevo para eles,
Nem quando estou triste,
Nem quando contente...!

Por isso, não posso morrer,
não ainda...
pois preciso poetar!


Escrevo por necessidade - Edson C. Contar

Indagado sobre por que escrevia, o escritor inglês Graham Greene , repondeu
"por necessidade. Quando tenho um furúnculo e ele está maduro, eu o aperto".

Escrevo por necessidade de respirar....
Uso o ar viciado em letras para sobreviver
 aos meus sonhos e devaneios...
Inspiro letrinhas que bailam em minha volta 
 e expiro poesias prontas, textos teatrais,
músicas apaixonadas e causos que o cérebro encomenda...
Normalmente, entre um e outro verso, suspiro!
Edson C.Contar

A poetisa brasileira Hilda Hilst, comenta que
 a questão de sexo na velhice não
 atinge o poeta e afirma “Escrevo justamente para não envelhecer.
 Posso ter 70 ou 80 anos,  vou continuar erótica.
A imaginação vai assumindo o controle das
lembranças e ninguém segura.
Sei respeitar a ausência do amado e ainda assim desejá-lo.
‘Desperdicei meu corpo para aliviar minha alma’,
acho que escutei isso num filme.”

Por que escrevo? Sa de Freitas ** Por que escrevo? Marcos Sergio T. Lopes


Georges Joseph Chistian Simenon, escritor belga,
criador do famoso personagem   Comissário Maigret, 
perguntado por que escrevia, respondeu:
 “eu escrevo porque desde a minha infância
 tenho experimentado a necessidade de me exprimir,
e posso ficar doente se não conseguir fazê-lo".

POR QUE ESCREVO?
Sá de Freitas

Escrevo porque sinto a incontida,
Força que do meu peito brota inquieta,
Obrigando a minha alma de poeta,
A expor toda a paixão que traz retida.

Escrevo porque sinto a minha vida,
Cheia de dor, de riso, amor... E nesta
Missão de versejar  vem-me o alerta,
De que só na poesia acho a saída...

Saída da angústia e do tormento,
Que às vezes trago no meu pensamento,
Por  algum sonho que não realizei.

Se não escrever serei sempre incompleto;
Se não escrever  caminharei incerto;
Se não escrever, de angústia morrerei.

"É necessário que eu escreva, acho que é uma necessidade
divina de mostrar a Sua face, o espírito quer ser adorado,
ele quer ser visto. Deus precisa fatalmente de mostrar
a Sua face e a arte é uma mediação para a divindade.
Então, neste caso, tenho que ser dócil a este desejo divino.
Não obedecer a isto é pecar, é um pecado capital,
eu não sou dona disto, não posso falar:
não vou escrever mais, isto seria o máximo do orgulho, e
então eu tenho que escrever”.
(RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2.
Bari: Ecumênica Editrici scrl, 1999)
POR QUE ESCREVO?
Marcos Sergio T. Lopes

E o coração, insensato, sente um bocado
Mais do que devia
E implora e deseja...
As mãos, trêmulas, cedem ao ensejo:
ensaiam traços para riscar a emoção.
De repente, nascem as palavras:
escorridas e escorrendo.
Assim, escrevo
E grito o que vejo
O que sinto
Tudo que me toca.
É um impulso incontrolável
Uma forma de esvaziar tudo de mim
Espalhando para o mundo.

Como comecei a escrever e porque escrevo

Simone de Beauvoir, escritora e filósofa, confidencia que
 “Como muitas crianças, escrevi parvoíces
entre os oito e os dez anos; depois parei,
 mas aos quinze anos só tinha um sonho:
ser escritora, e desejei-o seriamente desde
o inicio da minha vida de estudante.
Era a única solução.
No meu ambiente, já não estava no meu lugar,
e como o confundia com toda a sociedade,
só podia recorrer a uma espécie de absoluto
aquele que representava a literatura para muitos
dos jovens da minha geração.
Eu conservara da minha educação religiosa
o desprezo pelo dinheiro, pela celebridade,
por todos os bens deste mundo;
 ambicionava outra coisa bem diferente:
escrever, a meu ver, era uma missão,
 uma salvação, substituia Deus".


Como comecei a escrever e porque escrevo

odete ronchi baltazar

Comecei a escrever textos além do que se exigia na escola,
ainda na época do ginásio (primeiro grau), quando a professora
 de Português, Maria Teresa, nos incentivou a escrevermos um diário
para que melhorássemos nossa escrita.
Santa ideia!
Acho que fui a mais animada e acabei até escrevendo
poesias naquele caderninho que tinha tudo o
que fazia durante o dia. Narrava as tarefas
que tinha que fazer em casa
 e, segredo dos segredos, revelava ao diário a minha
"paixão" por algum rapazola.
Escrevi diários e diários desde a
adolescência até a minha juventude.
Segredos...
Um belo dia, para que meu noivo não viesse a
"descobrir" meus "segredos", joguei tudo no lixo.
Perdi assim, boa parte da história da minha vida.
Mas não perdi a vontade de escrever.
Já na Faculdade ainda produzia textos poéticos e
guardava-os em folhas dispersas que jogava no fundo das gavetas.
Ficavam chocando sem nunca criarem asas.
Um dia resolvi mostrar meus textos a um professor de Teoria Literária.
Ele leu mas deu o veredito: os textos eram francos
e muito românticos. Não se usava mais aquilo, disse-me.
Era época da poesia modernista e concreta.
Fiquei perdida... Eu só sabia escrever coisas românticas.
Parei de escrever.
Só voltei a produzir algo depois de anos.
Mesmo assim, era poesia de gaveta.
Escrevia em qualquer papel que aparecesse em minhas mãos.
Escrevia nas beiradas dos livros que estava lendo.
Escrevia sobretudo no meu coração.
Treinei bastante.
Mas foi com o meu descobrimento da internet e os grupos
que trocavam poesia que me soltei e então ninguém mais me segurou.
Se os textos eram bons ou não, tinha o incentivo
dos amigos e críticos de plantão.
Participei de vária antologias que reuniam escritores da net e,
alegria das alegrias, escrevi dois livros solo:
 "Só Poesia" e "Caixinha de Segredos".
Hoje, escrevo crônicas, contos, poesia, etc e tal.
Já tenho material para livros futuros.
Só falta ânimo para revisá-los.
Tenho a minha editora, Maria Inês Simões,
da Editora AVBL, que facilita minha vida e faz tudo via internet.
E assim vocês vão ter de me aturar por um bom tempo,
pois escrevo para me distrair do dia a dia.
Escrevo para construir imagens.
Escrevo para satisfazer meu ego.
 Escrevo para me mostrar ao público.
Escrevo e escrevo...

Por que escrevo? Marlene Constantino - Por que Escrevo? Adélia Mateus

Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado,
não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse
a sempre novidade que é escrever, eu me morreria
simbolicamente todos os dias." (Clarice Lispector)

POR QUE ESCREVO?
*Marlene Constantino*

Escrevo porque em suas manhas
o coração pede pra soltar a voz
exprimir no mais alto tom a canção.
Dor que a alma chorosa silencia.
Os mais soltos ais, meus risos, meus gritos,
minh'alma em folia.
São tantos os motivos dentro de um oceano
tão cheio de vida e cor.
Hoje sou linguagem banhada em poesia
 amanhã não sei.
Talvez, quem sabe minhas rimas soem
em tom maior num coração qualquer.


Por que escrevo?
Adelia Mateus

Nos momentos  de  inspiração
As  palavras vão  se juntando
Formando elos de sentimentos
Neste imenso coração sonhador.

 Como um barco à deriva, perdido,
  Sem  bússola  para  me encontrar
Vou escrevendo sonhos imaginários
Querendo que fossem uma realidade.

Amores não realizados neste viver
Palavras se transformam em tristeza
Que choram com o silêncio da solidão.

Este silêncio que só o coração sente
Fala  baixinho da  carência do amor
Transmitindo a paz e a força de viver.
Fevereiro/2011



Por que escrevo? Maria Marta Cardoso


O Escritor e jornalista Eric Nepomuceno
considera o ofício de escrever
 o mais solitário de todos os ofícios.
 Escrever, para ele, é  “ uma maneira de lutar contra a solidão:
a solidão de quem escreve e a de quem lê.
É uma maneira de tentar lutar
contra os nossos próprios fantasmas
e de ir buscar uma contribuição
 com os outros, uma comunhão.
No fundo, é como disse o García Márquez:
 escrevo para que os amigos gostem mais de mim.”
Por que Escrevo?
Maria Marta Cardoso

Escrevo pra aliviar a alma o coração
O que seria de mim sem meus rabiscos
É neles que expresso meu amor, minha dor
São pedaços de minha vida
Às vezes distorcendo e enfeitando a realidade
Como calar sentimentos que gritam no peito
Escrevo pra me sentir viva
Escrevendo iludo minha tristeza
Dou cor a minha solidão

Por que escrevo? Sonia Salete


"Arte Literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra.”,
dizia Aristóteles , na Grécia Clássica.
Para Jean-Paul Sartre, filósofo Francês, do século XX,
 “o poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais,
 e a sua obra como um fim e não como um meio; como uma arma de combate."
Por que escrevo?
Sonia Salete

Minha vida sempre foi pautada por arte...
desde os oito anos de idade já queria aprender a pintar...
Viver a arte de escrever...arte de olhar, de cantar...
arte de ver a vida...
Sempre a arte, como o ar pra se respirar,
como a vida a transpirar...
Escrever pra mim é vida!
Escrevo para me sentir viva!

Escrevo por que ? Edwards Chacon e Gilda Pinheiro de Campos


A literatura tem seu papel na vida social.
  Atinge as pessoas de diversas maneiras.
Além da função estética,
(arte da palavras e expressão do belo),
a literatura desempenha a função catártica
(entendendo-se aqui a purificação de sentimentos).
 Aristóteles falava em liberação das emoções reprimidas.

"Escrever me alivia embora o faça chorando.
Não me envergonho de chorar,
são momentos em que meu coração
expulsa os sentimentos,
faz-me entrar em transe
e começo a psicografar..."
CHACON

A literatura pode ser definida como a arte de criar
e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos;
 o exercício da eloquência e da poesia;
o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época.
Carlos Heitor Cony, vê no ato de escrever uma catarsa.
 “ Se não tiver dor não escrevo. Ela é a grande inspiradora
. O prazer não inspira nada. Agora, a grande magia disso
 tudo é transformar esta dor em um livro agradável”.

ESCREVER... POR QUÊ?Edw@rds

Tento escrever...
Chamo pelos sentimentos, grito pelas palavras,
assustadas as rimas fogem...
Peço socorro às metáforas, correm...
Clamo inspiração, não vem...
Pensamentos rabiscam meus vazios sem nada anotar.
Sofro... Como sofro...
Em meio à solidão, não posso, pela escrita,
libertar coisas que trago no coração...
Como calar... Sou versilibrista...
Escrevendo me sinto livre e verdadeiro.
Com as palavras, troco carícias e namoro...
Estou sempre a procurá-las e, quando as encontro,
não fico temeroso com medo de usá-las.
Sinto felicidade, alegria e preocupação...
Será que elas não pertencem a alguém?...
Palavras são palavras...
Quando soltas e isoladas, são imprevisíveis.
Podem machucar ou acarinhar...
O silêncio não agride mais que o vocábulo...
Expressões reunidas exercem forte poder...
Mantenho um amor platônico com a palavra...
Satisfaz todos meus desejos.
Ela me realiza e me faz sentir prazer...
Escrever é registrar emoções, libertar sentimentos
 e sentir o deleite de copular com as palavras...
Escrevo minhas realidades
para que pareçam sonhos e fantasias.
Tento iludir minhas angústias
e a solidão que me enleia...
Do júbilo à tristeza
vive o coração de quem escreve...
Escrever, por quê não?...
É corporificar realidades e devaneios
para a eternidade...


Carlos Drummond de Andrade  nos deixou o um depoimento,
no qual diz que não é um escritor, mas uma pessoa que gosta de escrever,
“ que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações,
seus problemas íntimos, que os projetou no papel,
fazendo um espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada.
Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas."

Escrevo porque respiro e
respirando escrevo dores e amores,
vivências, pedaços de vida, alegrias,
tristezas e sobretudo saudade
 do meu amor...o meu momento...
O exercício de escrever me faz bem,
 me coloca em linha direta
com sentimentos e emoções.
 Me faz compreender melhor o mundo,
passar pela vida com mais tranquilidade,
 abrir um canal com a espiritualidade,
encontrar novos amigos, me faz feliz...
*Gilda Pinheiro de Campos*

O processo de criação literária: Por que Escrevo?

Durante o mês de janeiro de 2011 foi deixada no ar
a pergunta:   Por que escrevo? - para que os poetas
 e escritores do grupo pudessem responder 
 o seu  olhar a respeito da criação  literária.
Foi uma iniciativa da Coordenação Cultural, 
a partir das "pilulas literárias", que são dicas para o fazer
literatura.
O tema foi desenvolvido na forma de uma roda
de poesia,  na qual a indagação foi respondida por
cada integrante do grupo.
A criação literária é um processo, por intermédio do
qual se produz literatura.
Para Graciliano Ramos "quem se mete a escrever"
deve fazê-lo da mesma maneira como as lavadeiras
realizam seu ofício: elas lavam, molham, lavam de novo,
esfregam e esfregam, torcem o pano até não pingar
do pano uma só gota.
 Somente depois de feito tudo isso é que
elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal para secar.
 "A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar
como ouro falso: a palavra foi feita para dizer".
Neste processo de criação, uma pergunta se impõe:
 “Por que escrevo?”